25 de abr. de 2008

Culpa

O pincel ainda é meu!
E por falar nisso, eu nunca pedi o teu...
Daquela vez que me emprestaste foi porque quis.
Sem falar que dos caminhos que fiz
Não seguiu nem algum desses.

A curva é o atraso de uma reta...
É de fato que não presta.
E te fiz sim uma trajetória decente.
Mas se administrares os negócios do ausente e do ignorante,
Deves responder pela culpa e pelo dolo.

Que responsabilidade é essa que não sinto de forma alguma?
Ainda espero por ela, minhas mãos cansei de lavar.
Já até me sentei.
Prometeram-me desculpas e cá estou a esperar.

...

Pedro Miranda 15/05/07

Ensaio

Aqueles discursos pré-fabricados.
Seja no banho,
Na cozinha, com a geladeira aberta.
De frente para o espelho talvez.
É sempre algo repetido muitas vezes.
Treinado em infinitos tons.

Tons de cinza?
Sem graça, responde ele mesmo.
Mas é bem clássico, retruca ele, de novo.
“Não não... Talvez o problema não seja visual...”
Sim! É isso! Não é uma questão de panorama, solucionou.
“Mas muitos tentam assim...” Uma aproximação já batida.
...
Depois de tentativas ínfimas, o apaixonado desiste.
É demais para palavras,
É demais para a razão.
Existe toda uma preparação de oração, apenas para chegar perto,
E não falar.
Olhar.


Pedro Henrique Miranda 00:18 21/3/2008

14 de abr. de 2008

escrever...

E de tristezas eu vou escrevendo
Como quem não ouve a massa
Tomando um gole de cachaça
Fingindo não estar vendo

Transcrevia tudo o que passava
Tanto pela mente
Quanto pela praça

Praça das minhas tristezas
A mente dos da praça
E tirando a carapaça
Se esvaiam as riquezas

E de pobrezas ressaltantes
As minhas já bastantes
Fazem parte do montante
De todos os meus soantes.

Nadim Maluf
10:08
14/04/08

9 de abr. de 2008

Farpa

É engolir sem nem ao menos querer mastigar.
Fazer um convite a um lugar onde
Você mesmo não iria, não é recíproco.
Um crítica sem base, mas com motivo.
Ou pior:
Dormir sem sono ou pensar drogado,
Dói demais a cabeça, dói de mais, a preocupação.
Tudo fica pior quando se tem um pesadelo consciente,
Ter a certeza de que não irá morrer,
Mas não saber até onde se pode ir.
O medo de avançar
Em tudo na vida.
No trabalho,
Nas conversas,
No semáforo,
No amor.
Não se tem limite,
Ainda mais nesse último.

Um pedacinho minúsculo de madeira encravada no braço esquerdo.
Aquela farpinha que se sente sempre que passa o dedo,
Mas quando vai ver se existe mesmo...
Não se vê.
Quando acha que tem algo,
Mas não tem.

Daí volta a droga
De acordar de um sono mal dormido,
Caretar depois de uma viajem mal pensada,
Ou talvez pensada de mais...
Relaxar depois de apanhar e,
Sem sentir o gosto,
Cuspir, junto com os dentes, o sangue e que já não é mais seu.
Sem sentir o gosto e sem sentir a pele arder.
Rima fazer com prazer,
Tremer,
Correr,
Aborrecer,
Debater e se defender,
Ferver,
Arrepender,
Beber,
Esquecer,
Gritar.

Depois que esquece,
O pesadelo acaba...
O limite é diferente do lugar onde para.
É o real que vem e diz o limite e onde parar, apanhar, relaxar.
Gritar, nesse caso, não rima,
Morrer.


Pedro Henrique Miranda
01:01 9/4/2008

26 de mar. de 2008

O que o homem tem com isso???

7 é um número peculiar...
Tudo bem... Seriam 6 mas são 7 os dias da semana, pois Deus resolveu descansar no último
São sete notas nas escalas naturais, ao menos na música ocidental.
são 7 cores no arco ires, para os não daltônicos.
Apesar de pequenos, sete são os coleguinhas da branca de neve.
Não são 3, nem 5...São 7 os sábios gregos, e que nasceram na grécia, olha só!
Sem falar nos defuntos, que estão numa distância de... Isso mesmo!!! Sete palmos do nível terrestre!
Enfim...
Lembrando que o sete vem depois do seis e precede o oito,
além de ser a quantidade de letras da palavra "Caralho", o sete é um número místico, assim podemos dizer...
E tem mais... Acabei de descobrir que 7 é o número de peças de cerâmica que determina a altura do meu banheiro...
Sete também é primo. =S
O número de páginas da carta de Pero Vaz de Caminha é quanto? Eu te pergunto.
É o mesmo número de vezes que Joana D´arc, ao ser queimada, exclamou o nome de Jesus. E ainda assim ele não a salvou...


E me diz... O que o homem tem com isso, especialmente o arquiteto da minha casa?
...

28 de jan. de 2008

Era uma vez...

Ainda cedo da manhã ele se preparava pra beber a última dose da garrafa e, logo que possível, colocaria seus velhos chinelos e, para mais uma vez, a terceira da semana, comprar um escocês barato na venda da esquina...

A última vez que lhe acontecera tal fato foi há um tempo atrás, desde então, saberia quando viria o terceiro acontecimento, e com certeza ele não estava errado. O sexo se tornou decadente após sua ex-esposa não o querer mais, e ainda se pode escutar os gemidos dela lá do sofá da sala, por insuficiência financeira, decidiram morar junto e era a vez dela usar a cama.

O pessoal do trabalho finalmente respondeu, o papel de psicólogo que iria fazer foi indeferido, o produtor queria alguém com nome... Woody Allen talvez pudesse usar tal história, mas sua vida apenas começara e ele tinha acabado de decidir que este seria seu último maço de cigarros.

Continua...

2 de nov. de 2007

Dor x Alegria

Conseguimos, facilmente, nos lembrar de uma dor que já nos ultrajou alguma vez no passado, mas não a sentimos quando tiramos um pouco de tempo para refleti-las. Se sempre que sentimos o incômodo nós aprendermos com ele, a dor que existiu é impossível de se sentir novamente, ela sempre será maior para que achemos que ela seja igual.
Ao contrário das dores, as alegrias e os prazeres pelos quais já passamos sempre irão nos fazer lembrar das estações mais arrebatadoras de nossas vidas. Desde aquele escorregão engraçado, ou ainda mesmo as fotos que um dia já te envergonhou, momentos estes que deixam saudades e a oportunidade de brincar e deleitar-se do contentamento que este ato de viver pode proporcionar a qualquer momento.